Criogenia para ensaios clínicos, Thermo Fisher amplia operação | Newslab

Criogenia para ensaios clínicos, NewsLab visita operação da Thermo Fisher em São Paulo

Estrutura amplia a logística de materiais biológicos em temperaturas próximas de −196 °C e atende à demanda de pesquisas com terapias celulares no Brasil

Uma terapia celular depende de uma cadeia inteira de conservação antes de chegar ao paciente. Entre a coleta, o processamento e a administração, preservar o material biológico faz parte do desafio científico. Nesse percurso, a criogenia assume um papel importante para viabilizar estudos clínicos de maior complexidade.

A NewsLab participou, em 21 de outubro de 2026, de uma visita ao Centro Logístico de Ensaios Clínicos da Thermo Fisher Scientific, no bairro Jaguaré, em São Paulo. A programação apresentou a nova operação criogênica e incluiu uma visita guiada à estrutura, com a participação de Maria Rodrigues, gerente-geral de Serviços Clínicos da companhia no Brasil.

Segundo as informações fornecidas pela empresa para a visita, a capacidade implementada integra importação, armazenamento, transporte e distribuição de materiais que exigem condições criogênicas. A estrutura já é utilizada em pesquisas envolvendo terapias celulares no país e permite trabalhar com temperaturas próximas de −196 °C, conforme as necessidades de conservação de cada material.

Criogenia para ensaios clínicos na área de armazenamento da Thermo Fisher Scientific em São Paulo.
Visão geral da área de criogenia do Centro Logístico de Ensaios Clínicos da Thermo Fisher Scientific, em São Paulo.

O que precisa ser preservado quando o produto contém células

Em produtos celulares, a qualidade depende da manutenção da identidade do material e de suas características biológicas. A criopreservação busca conservar células em temperaturas muito baixas, permitindo seu armazenamento e uso posterior sob condições estabelecidas para cada aplicação.

O processo exige equilíbrio entre formulação, crioprotetores, velocidade de resfriamento e descongelamento. A formação de cristais de gelo e as alterações osmóticas podem comprometer a recuperação celular. Esses fatores, discutidos em documento técnico da Thermo Fisher sobre fabricação de terapias celulares, ajudam a explicar por que a temperatura de armazenamento é uma parte de um processo mais amplo.

O objetivo é preservar a viabilidade e a potência do produto. Isso exige condições definidas de processamento, conservação e manuseio, adequadas às características das células e à finalidade de uso.

UM NÚMERO QUE EXIGE CONTEXTO

Os cerca de −196 °C informados para a operação não constituem uma exigência universal para terapias celulares. A faixa de conservação depende da formulação, da estabilidade demonstrada e das especificações de cada produto. Sistemas em fase líquida e em vapor de nitrogênio apresentam condições próprias de operação e monitoramento.

Criogenia para ensaios clínicos com tanques e infraestrutura de nitrogênio na Thermo Fisher Scientific.
Tanques e infraestrutura de nitrogênio na área criogênica.
Detalhe dos equipamentos de criogenia para ensaios clínicos apresentados na visita da NewsLab.
Detalhe dos equipamentos apresentados durante a visita à operação.

Uma cadeia que conecta armazenamento e distribuição

A proposta apresentada pela Thermo Fisher reúne diferentes etapas logísticas em uma operação integrada. A capacidade criogênica se soma aos serviços de abastecimento de estudos clínicos descritos pela companhia para a unidade paulistana, incluindo distribuição, embalagem secundária, gestão de transporte, monitoramento de temperatura e logística de devoluções.

Para os centros de pesquisa, essa integração coloca em foco as condições de cada transferência. Embalagem, identificação, tempo de deslocamento e registros de recebimento precisam acompanhar as exigências do material. O percurso entre os estabelecimentos faz parte da gestão da qualidade na pesquisa clínica.

Área logística da Thermo Fisher Scientific que apoia o abastecimento de ensaios clínicos em São Paulo.
Área logística da unidade de São Paulo, que reúne serviços de apoio ao abastecimento de estudos clínicos.

Rastreabilidade acompanha o controle térmico

A RDC 836/2023 da Anvisa, voltada às Boas Práticas em Células Humanas, ajuda a dimensionar o rigor técnico dessa cadeia. Para os serviços abrangidos, a norma estabelece a criopreservação controlada e monitorada, ou processo equivalente que mantenha a viabilidade do produto.

A resolução define rastreabilidade como a possibilidade de recuperar o histórico do material, desde o doador ou paciente até a liberação para uso, por meio de identificações e registros. Prevê monitoramento contínuo da temperatura no armazenamento em fase de vapor de nitrogênio e, para o transporte de células criopreservadas, registros que permitam verificar variações fora dos limites estabelecidos.

Essas disposições oferecem um referencial para compreender os controles envolvidos na cadeia celular, respeitando o enquadramento regulatório de cada estabelecimento e produto.

Preservar o material exige um histórico verificável

Identificação, condições de conservação e registros de movimentação permitem reconstruir o percurso do material biológico. Na cadeia celular, a rastreabilidade precisa acompanhar cada transferência.

Recipientes criogênicos apresentados na visita à operação de criogenia para ensaios clínicos.
Recipientes criogênicos apresentados na estrutura visitada.
Equipamento auxiliar de movimentação na área de criogenia para ensaios clínicos da Thermo Fisher Scientific.
Equipamento auxiliar de movimentação na área de criogenia.

Demanda por estudos mais complexos orienta a expansão

A dimensão dessa atividade aparece nos números divulgados pelo Saúde Insider em 22 de outubro. Segundo a reportagem, com informações atribuídas à companhia, o centro atende cerca de 100 clientes ativos e participa de aproximadamente 850 estudos clínicos. Os dados se referem à unidade como um todo, sem indicação de que todos esses estudos envolvam criogenia.

A publicação relata que a operação recebeu, em 2026, seu primeiro produto criogênico associado a um estudo com CAR-T. Aponta ocupação entre 50% e 60% e uma expectativa de ampliação da área de armazenamento em cerca de dois anos, vinculada à evolução da demanda.

Essa previsão representa uma perspectiva de expansão da infraestrutura, condicionada ao crescimento da atividade. A nova capacidade criogênica apresentada durante a visita integra a estrutura já existente.

Freezers da unidade da Thermo Fisher Scientific visitada pela NewsLab em São Paulo.
Freezers da unidade visitada pela NewsLab. A operação reúne equipamentos para diferentes necessidades de conservação.

Infraestrutura para sustentar a pesquisa

A Anvisa enquadra as terapias celulares avançadas, as terapias gênicas e os produtos de engenharia tecidual no campo das terapias avançadas. A agência ressalta o potencial dessas tecnologias e a necessidade de mecanismos de controle que assegurem qualidade, segurança e eficácia.

A visita da NewsLab evidencia uma dimensão prática desse desenvolvimento. Ao lado do conhecimento científico e da capacidade de conduzir estudos, o país precisa de infraestrutura que preserve materiais sensíveis e conecte os participantes da pesquisa. A operação criogênica apresentada em São Paulo se insere nessa necessidade, com serviços voltados às exigências de protocolos mais complexos.

Para a medicina laboratorial, a conexão é direta. A qualidade do material biológico precisa ser sustentada durante todo o percurso, com condições de conservação definidas e um histórico que possa ser recuperado.

Referências

  1. Thermo Fisher Scientific.
    Unidade de São Paulo e serviços para ensaios clínicos.
  2. Thermo Fisher Scientific.
    Estratégia de formulação e criopreservação na fabricação de terapias celulares.
  3. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
    RDC 836/2023. Boas Práticas em Células Humanas para uso terapêutico e pesquisa clínica.
  4. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
    Terapias avançadas.

Informações sobre a visita, a porta-voz e a apresentação da nova capacidade foram fornecidas à NewsLab na comunicação do evento.

Imagens fornecidas à NewsLab para a cobertura da visita.