O sarampo, uma das doenças infecciosas mais contagiosas do mundo, voltou a avançar de forma significativa nas Américas, após anos de controle sustentado. Dados recentes divulgados por autoridades internacionais indicam um crescimento expressivo de casos ao longo de 2025 e nas primeiras semanas de 2026, levando à emissão de um alerta epidemiológico regional.
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados aproximadamente 14,8 mil casos de sarampo nas Américas em 2025, número 32 vezes superior ao observado em 2024. No mesmo período, ao menos 29 mortes foram associadas à infecção.
O início de 2026 mantém a tendência de alta. Somente nas três primeiras semanas do ano, mais de mil casos já haviam sido confirmados em sete países da região, quase 45 vezes mais do que no mesmo intervalo do ano anterior.
A maior concentração de casos ocorre na América do Norte, com destaque para Estados Unidos, Canadá e México, que juntos respondem por mais de 90 por cento das notificações recentes. Um dado considerado crítico pelas autoridades é que grande parte das pessoas infectadas não havia sido vacinada ou apresentava situação vacinal desconhecida.
No Brasil, o cenário permanece mais controlado. Em 2025, foram registrados 38 casos confirmados, a maioria relacionada a eventos de importação do vírus. O país mantém, até o momento, o status de área livre de transmissão sustentada do sarampo, mas as autoridades reforçam que o risco de reintrodução é real diante do aumento regional.
O sarampo é causado por um vírus de transmissão respiratória, capaz de se espalhar rapidamente em ambientes fechados e em populações com baixa cobertura vacinal. Entre os principais sintomas estão febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e o aparecimento de manchas avermelhadas na pele. Em casos mais graves, a doença pode evoluir para pneumonia, encefalite e óbito.
A vacinação é a principal e mais eficaz forma de prevenção. O imunizante tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, deve ser administrado em duas doses para garantir proteção adequada. Para impedir a circulação do vírus, especialistas indicam que a cobertura vacinal precisa se manter acima de 95 por cento da população.
Segundo a OPAS e a OMS, a queda nas taxas de vacinação observada em alguns países, associada a dificuldades de acesso aos serviços de saúde e à desinformação, contribui para a formação de bolsões de indivíduos suscetíveis, favorecendo a ocorrência de surtos.
Diante desse cenário, os organismos internacionais recomendam o fortalecimento das campanhas de imunização, a busca ativa de não vacinados, a ampliação da vigilância epidemiológica e a rápida investigação de casos suspeitos.
O avanço do sarampo nas Américas serve como um sinal de alerta sobre a importância de manter programas de vacinação robustos e contínuos, sob risco de retrocesso em conquistas históricas da saúde pública.



