Anvisa amplia indicação da vacina contra HPV | Newslab

ANVISA amplia indicação da vacina contra HPV e reforça a prevenção de cânceres associados ao vírus

Decisão da ANVISA reforça evidências científicas de que a imunização é ferramenta essencial para prevenção de uma gama mais ampla de tumores associados ao vírus, com impacto significativo em saúde pública

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou um marco no campo da prevenção oncológica ao ampliar a indicação terapêutica da vacina Gardasil 9, incorporando formalmente a proteção contra cânceres de cabeça, pescoço e orofaringe associados à infecção pelo papilomavírus humano (HPV) . Até então a vacina já era recomendada para prevenir cânceres do colo do útero, vulva, vagina e ânus, além de lesões pré-cancerosas, verrugas genitais e infecções persistentes ligadas ao vírus .

Essa decisão baseia-se em um corpo robusto de evidências científicas que, ao longo das últimas décadas, tem demonstrado que a imunização contra HPV reduz de forma consistente a ocorrência de infecções pelos tipos virais de alto risco oncogênico e, por consequência, a progressão para tumores . Estudos longitudinais, como os realizados com a vacina quadrivalente em grandes populações, mostram reduções marcantes no risco de câncer cervical invasivo e também apontam para quedas nos processos infecciosos que antecedem outros cânceres associados ao HPV .

A nova indicação aprovada pela Anvisa abrange crianças, homens e mulheres na faixa etária de 9 a 45 anos, com a recomendação de que a vacinação seja feita preferencialmente antes do início da vida sexual, quando a probabilidade de contato com o vírus ainda é mínima e a resposta imune à vacina tende a ser mais eficaz . A transmissão do HPV ocorre predominantemente por meio de relações sexuais, e a prevenção por vacinação demonstrou impedir a persistência de infecções que poderiam levar a alterações celulares oncogênicas com o passar do tempo .

O reconhecimento regulatório da ANVISA acompanha uma tendência internacional de ampliação da compreensão sobre o impacto da vacinação contra HPV. Relatórios científicos recentes mostram que programas vacinais têm efeito direto na queda de lesões precursoras de câncer em jovens e adultos, e contribuem para um efeito de imunidade coletiva quando altas coberturas são alcançadas . Em países onde a vacinação foi implementada de forma ampla, dados populacionais já apontam para reduções claras nas taxas de infecção pelos tipos virais mais associados ao câncer e nas lesões que precedem tumores invasivos .

A decisão da ANVISA, além de reforçar a importância de políticas de vacinação amplas e equitativas, sinaliza avanço nas estratégias de saúde pública para enfrentar não apenas o câncer cervical, historicamente ligado ao HPV, mas também outros tumores que têm mostrado associação relevante com o vírus nas últimas décadas . Essa ampliação indica uma visão integrada da prevenção primária do câncer, levando em conta a diversidade de manifestações clínicas que o HPV pode provocar ao longo da vida.

Especialistas em imunização e oncologia veem na ampliação da indicação uma oportunidade para reduzir substancialmente a carga de doenças associadas a um vírus altamente prevalente em todo o mundo, com impacto direto na morbidade e mortalidade por câncer em diferentes regiões .

A ampliação da indicação deve também orientar campanhas de educação em saúde, reforçando a importância da vacinação em faixas etárias amplas e destacando a redução comprovada de risco para diversos tipos de câncer ao longo da vida. Essa decisão marca um passo relevante no uso de uma ferramenta preventiva que vai muito além da proteção individual, alcançando benefícios coletivos significativos.