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Analogias em medicina: Azeitona bloqueia trânsito de recém-nascido

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Por José de Souza Andrade-Filho*

A azeitona (ou oliva) é o fruto da oliveira, árvore da família das oleáceas, originária da região mediterrânea, de pequenas folhas verde-acinzentadas, que servem na alimentação humana em espécie ou sob a forma de azeite deles extraído (Aurélio).

O azeite de oliva é basicamente o óleo obtido diretamente da azeitona (ou suco oleoso da fruta), sem o uso de solventes na extração, que passa por um minucioso e complexo processo até dar origem ao produto final, que jamais terá um sabor único, uma vez que cada tipo de azeitona vai produzir um azeite diferente, podendo ser mais ou menos amargo, adocicado, picante, suave e etc. O processo de obtenção possui seis etapas e é bastante minucioso, com o objetivo de ter um produto de extrema qualidade ao final do processo. É da oliveira que é colhida à azeitona, que pode viver até 150 anos, mas é a partir dos cinco anos de existência que começa a dar frutos, alcançando a melhor produção a partir dos 35 anos. A colheita que se inicia na primavera pode ser feita manualmente ou através do sistema em que a arvore é balançada, fazendo com que os frutos caiam sobre uma lona no chão (Pedro Frade).

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Image: http://www.chw.org/medical-care/gastroenterology-and-hepatology-program/conditions/pyloric-stenosis/

Uma doença comum do recém-nascido, responsável pela maioria dos casos de indicação cirúrgica nos primeiros meses de vida, é a estenose (ou estreitamento) do piloro, descrita pela primeira vez por Hirschsprung, médico dinamarquês, em 1887. Nesta condição ocorre acentuado espessamento da camada muscular do piloro (entre o estômago e o duodeno), que pode atingir até 1cm de espessura, resultando em perda da função do canal pilórico. O estreitamento se instala gradualmente na transição entre o antro e o piloro, terminando abruptamente do lado duodenal. A causa é obscura, mas há evidências crescentes de que as células musculares da parede gástricas não são inervadas corretamente. A incidência é de l para 800 nascimentos em brancos e 1 para 2000 em negros e o sexo masculino é mais acometido que o feminino numa proporção de 4:1.

A criança apresenta vômitos não biliosos entre a terceira e sexta semana de vida, às vezes em jato, e está sempre faminta, pois o alimento não chega ao intestino, provocando perda de eletrólitos e de água. Pode ser observado peristaltismo de luta ao nível da barriga da criança, ou mesmo obstrução grave, dilatação gástrica e ulceração com hemorragia. Na maioria dos casos (95% segundo muitos autores) pode-se palpar o abdome do lado direito da criança, que se apresenta como massa ovoide, firme e móvel, de 2-3 cm, assemelhando-se a uma azeitona, donde a denominação de oliva pilórica (Ingl. pyloric olive). O estudo radiológico mostra o estreitamento e a imagem do canal estreitado, como se fosse um pequeno cordão.

Atualmente a ultra-sonografia abdominal é o método de escolha para o diagnóstico. O tratamento é cirúrgico, com técnica operatória que anula o “efeito azeitona” e o prognóstico é muito bom.


*José de Souza Andrade-Filho – Patologista no Hospital Felício Rocho-BH; membro da Academia Mineira de Medicina e Professor de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.


 

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