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O Brasil está preparado para reduzir a idade mínima indicada ao rastreamento do câncer colorretal?

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Neoplasia registra mais de 36 mil novos casos anualmente no país. Instituições internacionais apontam para início dos exames preventivos aos 45 anos

Em menção ao Dia Mundial do Câncer, lembrado em 4 de fevereiro, a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) chama atenção para o debate acerca do rastreamento do câncer colorretal (CCR). A partir de estudos realizados pela American Cancer Association, a recomendação internacional é reduzir a idade para início do rastreamento da neoplasia de 50 para 45 anos. Contudo, estamos preparados para atender a essa demanda?

De acordo com a estimativa do IBGE, o Brasil conta com mais de 43,6 milhões de pessoas na faixa etária contemplada pela política de prevenção do CCR – de 50 a 75 anos. Se somado à população a partir de 45 anos, esse número salta para 56,9 milhões, um crescimento de 30%. Ronaldo Taam, médico endoscopista e membro da Comissão de Prevenção do Câncer Colorretal da SOBED, pondera que o país já encontra dificuldades de combater o câncer e que antecipar o início da realização de exames pode representar problema sério.

“Precisamos, sim, de programas direcionados ao rastreio da neoplasia de cólon e reto no grupo de risco e em pacientes que apresentam sintomas. Essas ações devem ser locais, a fim de contribuírem para formar um quebra-cabeça nacional – desta forma, conseguimos dados concretos sobre o que está sendo feito, além de aumentar consideravelmente a abrangência da cobertura dos exames, como da colonoscopia”, indica.

O especialista explica que “quando se fala em rastreamento do câncer de cólon e reto, na realidade é processo de busca ativa de lesões pré-cancerosas (pólipos adenomatosos) e/ou em estágios iniciais (câncer precoce) de uma doença ainda sem manifestações clínicas”. Adiciona, ainda, que essa neoplasia é a terceira mais frequente em homens e a segunda em mulheres – considerando-se a incidência dos casos de câncer e é a segunda causa mais frequente de óbito.

A orientação internacional surgiu após evidenciar-se o diagnóstico em pacientes novos, com idades entre 20 e 40 anos. O especialista afirma que são casos específicos e que, por isso, demandam atenção de todos para identificar sinais e, quando necessário, solicitar exames complementares, como teste de sangue oculto nas fezes e colonoscopia.

“Estudos epidemiológicos mostram alguns critérios que devem ser levados em consideração, como obesidade, sedentarismo, alterações na dieta e alto índice de massa corporal. Ao analisar pessoas que vivem sob todas essas questões, reconheceram-se quadros em que havia presença de pólipos – ou seja, lesões pré-oncológicas, passíveis de tratamento endoscópico”, esclarece.

Porém, Taam reforça que tal conduta segue para casos específicos e utiliza-la como norte para políticas públicas em larga escala não é viável. “O Brasil com grande população e extensa área territorial necessita um programa muito bem planejado e estruturado. O número de pessoas a serem elegíveis para rastreamento tradicional, entre 50 e 75 anos, é muito elevado e não há ainda um programa quer ele seja regional ou nacional que atenda essa demanda. As necessidades de recursos humanos e materiais são grandes, assim como é complexa a logística para assegurar a confirmação dos testes positivos e para oferecer tratamento para os casos em que haja necessidade de tratamento endoscópico e/ou cirúrgico e oncológico. Há a necessidade da implantação de programas de rastreamento e incremento dos poucos já existentes, com integração e análise dos dados coletados visando a uma visão mais global desse tipo de câncer em nosso país”, analisa.

Ainda segundo a estimativa do IBGE, até 2060, o Brasil deve ter mais de 71 milhões de pessoas de 50 a 75 anos.

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