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Diagnóstico e informação são armas prevalentes na luta contra a hanseníase, alerta dermatologista

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Brasil é o segundo no ranking mundial da doença, registrando cerca de 30 mil casos por ano; Doença tem cura e transmissão é interrompida após início de tratamento

A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa provocada pela bactéria Mycobacteruim leprae (bacilo de Hansen), que afeta principalmente a pele e os nervos, causando manchas e alterações de sensibilidade. Segundo a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBD), o Brasil é o segundo no ranking mundial da doença, registrando cerca de 30 mil casos por ano.

Conforme Renata Sitonio, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e dermatologista chefe da Clínica Sitonio, os primeiros sintomas podem levar anos para aparecer e começam pelas alterações neurológicas. São elas, perda de sensibilidade ao calor ou dor, formigamento, perda da força muscular ou alteração nas articulações. Já na pele, explica que podem aparecer nódulos e manchas, perda dos cabelos e sobrancelhas.

Para a especialista, é importante que a doença seja detectada rapidamente, pois a evolução da patologia pode implicar deformidades e mutilações, que tanto contribuem para a estigmatização da doença. “O preconceito devido à desinformação não pode começar pelo próprio paciente. A hanseníase tem cura e, após iniciado o tratamento, não há mais transmissão”, afirma.

De acordo com Renata Sitonio, o quadro do doente sem tratamento é mais preocupante, pois pode transmitir o bacilo pelas vias respiratória por meio de tosse, espirro, gotículas de saliva.  A dermatologista alerta que o maior risco de contágio ainda se dá pelo convívio domiciliar com o enfermo sem tratamento, o que reforça a importância do diagnóstico.

“Menos de 50% dos casos são identificados por exames de laboratório. O exames clínico feitos pelo médico dermatologista ou neurologista são mais importantes, como o de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase – em inglês Polymerase Chain Reaction) e sorologia, além de exames como bacterioscopia e biópsia,  que coletam material da pele para serem examinados no microscópio”, explica.

O tratamento é baseado em antibióticos e pode levar de seis meses a um ano e, mesmo que haja melhora dos sintomas, o paciente não pode interrompê-lo, pois isso pode levar a resistência bacteriana. Ainda é possível que, mesmo curado, o paciente continue sofrendo com problemas neurológicos – ocorre em pelo menos 20% dos casos.

Para Sitonio, o estigma social se dá pela desinformação e pela disseminação de falsas ideias.  Ela explica que o paciente em tratamento pode sim conviver em sociedade e deve conhecer seus direitos. Outro ponto é que a maioria da população é resistente à infecção, ou seja, adquire o bacilo, mas aborta a infecção e não desenvolve a doença.

“A ideia de que manchas são o principal sintoma da doença também é um mito, as alterações neurológicas vem primeiro. É verdade a informação de que os familiares que convivem com o paciente também devem ser examinados. É mito a ideia de que a transmissão se dá por qualquer tipo de contato. É verdadeira a informação de que, mesmo após curado, o paciente deve seguir com acompanhamento médico por, no mínimo, 10 anos”, esclarece.

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